terça-feira, 2 de junho de 2026

As coisas que perdemos - Capítulo 1

Capítulo 1 
Sentado em volta das árvores - ah, as árvores, sempre são elas que me acolhem - deixo meu celular e e-reader de lado e tomo meu caderno e lápis, difícil de se encontrar nos dias de hoje, não o caderno e o lápis, isto há aos montes em liquidação, me refiro em alguém escrevendo hoje em dia.

Anos se passaram pra mim. Quantos? Muitos, mas na verdade isto não importa, uma vez que no mundo atual, é tudo tão corrido, tão rápido, que em uma semana parece que você vive anos.

Saudade de sentar assim, sem compromisso c9m o mundo moderno, observando a vida passar, idas e vindas a minha volta, esperando por Godot.
Ah, Godot! Como ficava confuso quando meu pai falava asssim pra mim. Sentado no sofá de casa, olhando pela janela, eu perguntava "o que você está fazendo, pai?", ele sempre respondia a mesma coisa "esperando por Godot" e dava risadas.
  Uma bicicleta passa. Fico feliz em ver uma bicicleta, mesmo que seja elétrica, pelo menos há alguém em cima dela. Atrasado, de fone de ouvido, olhando para frente como se não olhasse para lugar nenhum, mas alguém em uma bicicleta.

"Droga! Preciso começar a escrever" penso enquanto observo a bicleta que não é mais uma bicicleta, pelo menos não pra mim. Começo a anotar no papel e me surpreendo com o garrancho de alguém que só digita há anos...

"Por onde começo?" Me vem esta dúvida. Pelo título...

As coisas que perdemos.

quarta-feira, 15 de abril de 2026

Céu escuro

Quando a tristeza toma conta,
Nuvens aparecem em Você,
Que amanheceu azul,
E agora escureceu.

Você ainda está lá,
Pintado pelo cinza das nuvens,
Mas ainda como uma tela em branco.

Céu azul,
Céu escuro,
É o mesmo Céu!

Sentado observando você,
Há beleza nas nuvens,
Sem dúvida,
Mas saudade de Ver Você!

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Inventário da Exaustão

Trinta anos de passos,
no mesmo corredor de vidro.
Cinquenta anos de fôlego,
num ar que não alimenta.

Cansado de ser a ponte,
enquanto o rio embaixo secou.
Cansado de traduzir o sagrado
para quem só entende o lucro.

O ego morreu de cansaço.
Não foi uma morte heroica,
foi um suspiro na cozinha,
com folhas espalhadas no chão.
Não espero mais o "sim".
Não temo mais o "não".

O reconhecimento é um fantasma
que não assombra mais a casa.
Sou o que resta do esforço.
Um vazio que caminha,
bate o ponto,
e volta para o nada.

Finalmente,
não sou ninguém.
E, enfim,
estou em paz com o vento das coisas.

Folhas ao chão

Escrevo.
Sem fim,
no Vazio.

O vento leva:
Folhas,
Palavras,
o esforço de preencher.

O vento leva,
tudo!

Ficam a mesa,
as folhas em branco,
a impermanência.

Fica o silêncio,
de quem entendeu,
que a vida nos cala,
para não sermos ruído.

Nada se perde no vento,
quando o vazio é a morada!

terça-feira, 28 de outubro de 2025

Meu Vazio

Já faz muito tempo,
Que não vivo com Você,
Meu Vazio.

Onde estava?

Vivendo os excessos,
Ausente,
Esquecendo Você,
Sua falta,
Mas também sua completude.

Sabe,
Chega um momento,
Que toda ausência,
Requer presença,
Meu Vazio.

E foi assim,
Que lembrar-me de Você,
Desocupou-me,
Inteiro.

Passei a notar,
Sua falta,
Por onde andava,
Com quem conversava,
Este tempo que não passava.

Colocando-me,
Em sua busca,
Momento a momento,
fácil descobrir,
Sua morada:
Agora!

Voltei!
Em instante,
Sem mala,
Sem cuia,
Com falta,
Sem falta,
Inteiro,
Meu Vazio!


sábado, 28 de junho de 2025

Quem voa?

Olha pra cima,
Observa,
E se é o céu,
Quem voa sobre os pássaros?

O que sabes sobre a vida,
A não ser seu coração?

Um pintor,
Diante de um quadro branco,
Começa a pintar,
E desaparece.

E o quadro branco?
Desaparece?
Ou se escondeu,
Atrás da imaginação,
Do pintor desaparecido?

sábado, 7 de dezembro de 2024

Do online pro Amor

Entre todas as mensagens da vida,
Meu coração favoritou as suas,
Deu like,
Curtiu,
Match!
Deslizei pro lado do coração!

Não vejo a hora,
De te tirar do Instagram,
E te colocar na minha vida!
De apagar meu Facebook,
E viver a realidade contigo.

De bloquear meu WhatsApp,
E te adicionar no meu coração!

domingo, 31 de dezembro de 2023

terça-feira, 5 de dezembro de 2023

Sumiço

Quanto te vi,
Te amei.

Quando te amei,
Te perdi.

Quando te perdi,
Procurei.

E procurando,
Nunca te achei.

Não te achando,
Desisti.

Desistindo,
Eu chorei.

E no choro,
Foi que sumi.

E no sumiço,
Encontrei.

segunda-feira, 20 de novembro de 2023

Saudade

É assim,
A breve história do pontinho,
No universo infinito,
Passa tempo e tempo,
Procurando o Amor,
Que quando acha,
Sente saudade da busca.