Sentado em volta das árvores - ah, as árvores, sempre são elas que me acolhem - deixo meu celular e e-reader de lado e tomo meu caderno e lápis, difícil de se encontrar nos dias de hoje, não o caderno e o lápis, isto há aos montes em liquidação, me refiro em alguém escrevendo hoje em dia.
Anos se passaram pra mim. Quantos? Muitos, mas na verdade isto não importa, uma vez que no mundo atual, é tudo tão corrido, tão rápido, que em uma semana parece que você vive anos.
Saudade de sentar assim, sem compromisso c9m o mundo moderno, observando a vida passar, idas e vindas a minha volta, esperando por Godot.
Ah, Godot! Como ficava confuso quando meu pai falava asssim pra mim. Sentado no sofá de casa, olhando pela janela, eu perguntava "o que você está fazendo, pai?", ele sempre respondia a mesma coisa "esperando por Godot" e dava risadas.
Uma bicicleta passa. Fico feliz em ver uma bicicleta, mesmo que seja elétrica, pelo menos há alguém em cima dela. Atrasado, de fone de ouvido, olhando para frente como se não olhasse para lugar nenhum, mas alguém em uma bicicleta.
"Droga! Preciso começar a escrever" penso enquanto observo a bicleta que não é mais uma bicicleta, pelo menos não pra mim. Começo a anotar no papel e me surpreendo com o garrancho de alguém que só digita há anos...
"Por onde começo?" Me vem esta dúvida. Pelo título...
As coisas que perdemos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário