no mesmo corredor de vidro.
Cinquenta anos de fôlego,
num ar que não alimenta.
Cansado de ser a ponte,
enquanto o rio embaixo secou.
Cansado de traduzir o sagrado
para quem só entende o lucro.
O ego morreu de cansaço.
Não foi uma morte heroica,
foi um suspiro na cozinha,
com folhas espalhadas no chão.
Não espero mais o "sim".
Não temo mais o "não".
O reconhecimento é um fantasma
que não assombra mais a casa.
Sou o que resta do esforço.
Um vazio que caminha,
bate o ponto,
e volta para o nada.
Finalmente,
não sou ninguém.
E, enfim,
estou em paz com o vento das coisas.